2 de agosto de 2011

Entrevista com Synyster Gates e Zacky V. na Guitar World "Futuro do Hard Rock".

"Jimmy teria cagado nas calças em alguns shows que fizemos este ano", diz Gates. "Eles estão gigantescos. Donington foi incrível, fizemos o Rock Am Ring na Alemanha, que foi insano. Fechamos o show com "Unholy Confessions", e provavelmente tinha umas 10 rodas, e o lugar estava lotado, com 80mil pessoas, além do que os olhos podiam ver. Nós nunca tivemos uma resposta como essa, nunca. E está cada vez maior. É como vemos o suporte incrível que nossos fãs tem nos dado. Nós temos muita sorte de não ter parado ainda."

Scans: 01 / 02 / 03





É no final de tarde de uma terça-feira de junho, e o guitarrista do Avenged Sevenfold, Zacky Vengeance está em um café em Paris, desfrutando de uma garrafa de vinho. "Então a vida não tem sido tão ruim", diz ele com uma risada. Na verdade, a vida tem sido muito boa para Vengeance e seus companheiros de banda. No momento eles estão em um circuito de festivais pela Europa, realizando shows para centenas de milhares de pessoas. Vários dias antes, eles estavam no Download Festival no Reino Unido, tocando um pouco antes da recém-reunida headliner, System of a Down ("experiência incrível, diz o co-guitarrista Synyster Gates, que conta tem como SOAD uma das suas bandas favoritas, dos últimos tempos). Da França, para a Itália, Espanha e Bélgica, seguido de uma série de datas na Austrália e uma passada nos EUA como headliner no Rockstar Energy Drink Uproar Festival. Diz Gates com um pouco de eufemismo "Estamos nos mantendo um pouco ocupados".

No mundo do Avenged Sevenfold, manterem-se ocupados é uma coisa muito boa. Particularmente após a morte prematura do baterista fundador da vanda Jimmy "The Rev" Sullivan, em dezembro de 2009, os membros restantes - Vengeance, Gates, o vocalista M. Shadows e o baixista Johnny Christ- não tinham tanta certeza se continuariam. Como disse Gates na Guitar World do início de 2010: "Parecia que talvez fosse hora de jogar a toalha".

Em vez disso a banda recrutou um dos ídolos de Sullivan, o baterista do Dream Theater, Mike Portnoy, que se dirigiu ao estúio para gravar "Nightmare", um sombrio e angustiado álbum sobre a morte do amigo e companheiro de banda. O álbum estreou como número 1 na parada da Billboard logo após o lançamento em julho de 2010, e a7x com Mile Portnoy, pegaram a estrada para uma turnê mundial notavelmente bem sucedida, que ainda está em curso no momento.

"Jimmy teria cagado nas calças em alguns shows que fizemos este ano", diz Gates. "Eles estão gigantescos. Donington foi incrível, fizemos o Rock Am Ring na Alemanha, que foi insano. Fechamos o show com "Unholy Confessions", e provavelmente tinha umas 10 rodas, e o lugar estava lotado, com 80mil pessoas, além do que os olhos podiam ver. Nós nunca tivemos uma resposta como essa, nunca. E está cada vez maior. É como vemos o suporte incrível que nossos fãs tem nos dado. Nós temos muita sorte de não ter parado ainda."

Não quer dizer que tudo foi bom, ao viajar com o Avenged. No início do ano a banda se envolveu na confusa saída de Mike Portnoy de sua banda Dream Theater, na esperança que fosse continuar com o A7X. Vengeance diz: "Vamos sempre ser gratos ao Mike, pelo que ele fez por nós em um momento bastante difícil, mas ele não era o ideal para nós, para sempre." Em seu lugar a banda colocou um desconhecido de 23 anos, chamado Arin Ilejay e foi para a estrada.

Eles recentemente estiveram em estúdio para gravar uma nova música, "Not Ready to Die", para o jogo Call of Duty. Mas, quanto a novos materiais essa é a única coisa que os fãs têm para ouvir em um futuro imediato. De acordo com Vengeance. "Ainda não estamos planejando algo, desde a morte de Jimmy. Então, agora estamos apenas nos conentrando em tocar ao vivo, e chegar a cada ponto do planeta onde nossos fãs querem nos ver. Ainda temos um pouco mais para pensar antes de terminarmos a turnê."

Em um dia de folga na França, Gates e Vengeance se sentaram com a Guitar World para falar um pouco sobre o ano passado e a vida do Avenged Sevenfold. Os dois falaram abertamente como eles encontraram o baterista Aril Ilejay e como serão as músicas agora, após a perda de Rev. Eles também falaram como é a influência do Avenged Sevenfold, após uma década inteira de carreira, e como isso começará a se refletir na aparência do metal. "Vemos um pouco." Diz Gates. "Mas se as pessoas não estão levando nada de nós, espero que seja a idéia destemida e sua abordagem. Não seguimos nenhuma cena ou qualquer tendência, basta tocar o que você quer tocar. É o melhor jeito de fazer música."

GW: Antes do lançamento de Nightmare, vocês comentaram que não conseguiam se imaginar tocando ao vivo, muito menos o lançamento de uma turnê mundial sem o Rev. Mas, vocês estão na estrada. Como foi tocar ao vivo novamente?

ZV: É, mas no início a idéia de fazer isso parecia imposível. E verdadeiramente, no caminho de Montreal para o primeiro show com Mike Portnoy (para o Heavy MTL festival em 25 de julho de 2010), eu lembro de estar no avião e pela primeira vez na minha vida desejando que iria falhar. Só assim não teríamos que fazer o show. Fiquei absolutamente perturbado. Mesmo nos segundos que antecediam a entrada no palco, tudo o que eu conseguia pensar era no fim do Avenged Sevenfold. Porque poderíamos ter saído do palco e poderia ser de outra maneira. Poderíamos ter colocado nossos instrumentos e seria isso. Mas algo nos guiou e nos ajudou, e daquele momento em diante foi como "Ok, talvez possamos fazer isso."
SG: E agora, especialmente com Arin, está realmente agradável novamente. Foi muito divertido com Mike Portnoy, mas é impressionante ver o entusiasmo desse garoto jovem ao ver que pode fazer algo muito legal. Ele foi gostanto, e acabou dando uma nova vida para a banda, com certeza.

GW: Vocês acham que a intenção de mike era ficar na banda?

SG: Definitivamente eu acho que ele queria. E teria sido bom. Ele é um grande cara e um grande baterista e nós o consideramos da família. Mas... ele é "Mike Portnoy". Mais do que poderíamos realmente ter, nesse momento. E depois de Jimmy morrer, queríamos dar a chance a um jovem garoto. Isso seria um sonho tornando-se realidade, respirar um pouco de vida nova a partir de uma morte. E assim nos sentimos bem. E, infelizmente Mike tomou algumas decisões que eu não sei se agora ele está feliz ou que não foram muito propícias ao seu bem-estar.
ZV: Quando Mike veio pela primeira vez para "Nightmare", ele esta sendo genuinamente conciente que estava lá para nos ajudar a cumprir o legado de Jimmy, e nós seremos eternamente agradecidos por isso. Em na verdade ele era realmente o único homem para o trabalho. Mas acho que ele estava a procura de coisas novas para fazer. Eu sei que ele estava perdendo um pouco da paixão pelo Dream Theater, que vinha acontecendo antes de nos conhecermos. Em seguida "Nightmare" saiu em primeiro lugar, e as viagens eram enormes, e eu acho que foi emocionante para ele. Eu acho que as intenções eram bem claras, que ele queria fazer parte do Avenged Sevenfold. Mas não estávamos prontos para ter um novo membro. E, sinceramente, ele não era o ajuste ideal. Quando ele saiu do Dream Theater, não falamos nada, pois ele é adulto e faz suas próprias escolhas. Mas falamos com ele, que não estávamos prontos para nos comprometermos. Mas a vida é dele.

GW: Ele gostava de fazer parte do Avenged Sevenfold.

SG: Sim, nós explodimos. Acho que ele gostou da energia jovem. Mike é o típico rockstar, então ele definitivamente gostou. Porque é um ambiente diferente do Dream Theater. Quando esses caras tocam, é uma coisa muito intensa e requer muita concentração. E conosco é uma vibe diferente.

GW: Como Arin apareceu?

ZV: Nós decidimos pegar um dia e experimentas algumas caras diferentes, sabendo que havia uma chance das coisas não continuarem com Mike. Não estávamos dispostos a fazer audições ou qualquer merda do tipo, mas o que fizemos foi perguntar ao nosso proditor, Mike Elizondo, se ele sabia de algum jovem e pedimos uma Jimmy tech, perguntamos a Mike Fasano se ele conhecia alguém. Então olhamos um garoto tocando no Youtube e achamos incrível. Arin era esse cara, foi o segundo que vimos. Ele veio e era provavelmente o garoto mais franzino, mais nervoso que eu já vi. Nunca tinha ouvido falar de qualquer uma das bandas que ele tocou, não sabia nada sobre ele, mas ele se sentou e começou a lamentar. Lembrou da de John Bonham ou algo assim. E todos nós ficamos com esse sorriso enorme em nossos rostos.
SG: Arin simplesmente acertou absolutamente em cheio. Ele entrou e tocou e sabia as partes de Jimmy perfeitamente, todas as nuances e grooves. Foi incrível.

GW: Vocês acham que existe a possibilidade dele se tornar um membro permanente da banda?

SG: É difícil dizer. Mas posso afirmar que ele esteve conosco durante este ano, fez três turnês conosco e está ficando melhor e melhor. Nós amamos o garoto. Ele é tão doce, tão humilde e tão talentoso. Ele está acertando e estamos gostando. Portanto, neste momento não pensamos em mudanças.

GW: Arin também aparece em "Not Ready to Die", a nova faixa do Avenged desde "Nightmare". Como que essa música vem junto?

SG: Fizemos isso no final de março, durante uma pausa de uma semana. E foi basicamente uma semana infernal, pois levamos muito tempo para escrever - mais tempo que a maioria das bandas pelo menos. Mas tivemos que escrever e gravar rapidamente, pois estávamos indo para a América do Sul, e escrevemos a partir do zero, para se ajustar ao jogo "Call of Duty". Entramos e a fizemos em quatro dias. Temos a certeza que soou bem no estúdio em casa, depois tocamos vom Mike Elizondo no seu estúdio. Não é a música mais Avenged Sevenfold, mas acho que ficou bem legal, dada ao tempo. Estou muito orgulhosa dela.

GW: Tecnicamente ela volta às suas raízes metalcore.

ZV: Dá para sentir que ela tem um pouco de "Walking the Fallen" ou mesmo "City of Evil".

GW: Podem nos indicar para qual direção, os materiais novos podem ir?

SG: Ainda não. Nós definitivamente pensamos em algo que pudesse se ajustar ao jogo. Foi muito estilizada em termos de como foi escrita.

GW: Há qualquer trabalho de um álbum novo?

SG: Nada. Estamos tão ocupados com a turnê que mal temos tempo de escrever. Trouxemos equipamento Pro Tools com a gente para a tunê, mas não foram usados nenhuma vez. Nós simplesmente não conseguimos misturar as duas coisas. Não temos foco para isso.
ZV: Eu sei que podemos ir para qualquer direção e quero que o álbum seja uma aventura musical. Porque sempre levo comigo os álbuns de minhas bandas favoritas, nas viagens. Eu acho que o novo álbum vai ser influenciado por nossas cabeças, onde estiveram e todas as experiências que tivemos no último ano e meio, e como nos sentimos sobre isso. Vai ser interessante de ver.

GW: Jimmy era bastante presente nas composições da banda. Como vocês acham que a sua ausência afetará um material futuro?

SG: É difícil dizer. Porque a coisa com Jimmy era um evento, ele escreveu bastante, ele era uma espécie de guerreiro solitário. Ele fez suas prórpias coisas e depois veio até nós com as músicas. Ele era de fazer junto com o resto de nós. Assim, tanto quanto a nossa maneira de escrever como uma banda, as coisas não devem mudar muito.
ZV: Não foi até o self-titled que Jimmy realmente entrou com suas músicas. Ele não estava escrevendo muito sobre "City of Evil". Mas quando ele começou a escrever foi fenomenal. Eu nunca poderia ter imaginado uma música como "A little piece of heaven" (de "Avenged Sevenfold") iria sair do jeito que ele fez, ou até mesmo escrito em primeiro lugar, para essa matéria. Eu acho que esse tipo de coisa, realmente nos diferencia de um monte de outras bandas pesadas.
SG: A coisa mais foda das canções de Jimmy, como "A Little Piece of Heaven" e "Fiction" (de "Nightmare") são as minhas favoritas. E isso é algo que eu acho que não terá mais. Eu sempre fui muito orgulhoso do fato que muitas bandas, principalmente bandas de metal, conseguiam fazer músicas assim e o fato que fomos capazes de fazer. É quem ele era. Ele era apenas um excêntrico porra louca. E eu fico triste em pensar que algumas dessas excentricidades provavelmente, não estarão mais lá.

GW: Sempre imaginei algo mais teatral no material de vocês, tipo Danny Elfman.

SG: Eu tenho esse lado, mas em algum momento eu comecei a focar mais no som do Avenged e foi esse caminho com a minha escrita. Jimmy foi apenas mais destemido. Então, eu adoraria continuar a experimentar esse tipo de coisa, mas definitivamente não pode ser forçado.

GW: Então, esse tipo de som vai ser um pouco menos presente no futuro?

SG: Possivelmente.
ZV: Eu só acho que será diferente. É uma daquelas coisas que você nunca sabe como afetará a música. Temos muita sorte por termos todas as músicas com a contribuição de Jimmy, mas acho que jamais iríamos tentar escrever algo, apenas para imitar seu estilo. Mas, por isso mesmo, ninguém da banda viria com algo extremamente teatral. Ninguém tem um estilo ou fórmula de escrita. É isso que faz essa banda ser única. Mas o mais triste é saber do que o Jimmy era capaz e não ter mais isso.

GW: Enfim, seja qual for o próximo capítulo, a banda tem evoluído ao longo da última década em muitos aspectos desde o lançamento de "Sounding The Seventh Trumpet." Neste ponto, vocês estão quase antigos em relação a nova safra de bandas de metal.
SG: [Risos] é, estamos ficando velhos.

GW: Um monte de bandas novas de metal parecem ter lido uma página do "Manual do Avenged" - os ganchos e grandes melodias, as harmonias das guitarras em duelo, mais canto do que grito, e também o estilo pesado. Vocês enxergam elementos de si mesmo em algumas dessas novas bandas?

SG: Acho que um pouco. Estamos tão envolvidos no que fazemos e é difícil de expôr para novas bandas. Você ganha ficando um pouco mais distante das coisas. Mas definitivamente há um monte de bandas legais lá fora, e se eles têm um pouco mais de Avenged Sevenfold neles, ótimo. Fico feliz que as pessoas estão tomando mais foco na melodia e também com a imagem. Pois acho que isso é importante. Todas as minhas banas favoritas escreveram músicas incríveis e também parecia incrível tocá-las. Eu acho que é a forma como deve ser. Você deve escrever com o melhor da sua capacidade e deve usar o máximo de sua capaidade e nada vai por água abaixo.
ZV: Eu vejo algumas coisas de Avenged Sevenfold em algumas bandas novas. E acho isso ótimo. A única coisa que é mais interessante para mim é que atualmente somos respeitados. As pessoas olhavam para nós como se fôssemos um bando de palhaços. Mas não dávamos a mínima, estávamos nos divertindo. E vendo essas bandas novas aparecerem, e falando sobre nós, é ótimo. Tocamos "Revolver" recentemente no Golden Gods awards, e um dos membros do Asking Alexandria veio até nós, e ele era um fã genuíno. Ele estava animado e queria tirar uma foto comigo e com o Syn. Foi incrível. Desejo a eles o melhor. Eu vejo muitas referências nossas em Black Veil Brides. Um monte de artigos sobre eles, mencionam Avenged Sevenfold e as semelhanças. Eu não tive a chance de conhecer esses caras, mas eu já os vi es festivais. Eu acho que eles estão fazendo algo legal. ALgumas pessoas adoram, algumas pessoas absoltamente odeiam isso, mas pelo menos é emocionante e faz as pessoas virarem a cabeça.

GW: Você diria o mesmo sobre Avenged Sevenfold?
ZV: Exatamente. E na minha opinião, sempre foi uma das melhores coisas sobre a nossa banda. Quer dizer, até hoje a idéia de Avenged Sevenfold, deixa muitas pessoas irritadas. E isso é bom, por que não acho que você pode ser realmente uma banda de rock, se você não irritar algumas pessoas. Mas a questão é que amamos o que fazemos. Nós ainda amamos tocar música. E ainda sentimos que a pressão de entregar algo grande para os fãs nos conduzirá. Sem Jimmy aqui, tem sido um pouco mais difícil. Embora, possa ser um divertimento, estamos fazendo sem ele, vamos dar nosso melhor para ainda fazer algo grande sair.


Fonte: Deathbat News

Nenhum comentário:

Postar um comentário